Napa estalada

Vinha a pensar pelo caminho que não há coisa mais pindérica que plásticos a imitar cabedal. Ainda me lembro dos tempos da napa. Havia uma amiga de outra amiga que ia para a praia ao entardecer com um ‘outfit’ completo de napa cor-de-rosa choque. É claro que quem ficava chocada era eu, mas não com a napa que, valham-nos as santas, até brilhava e tudo, mas com as curvas da amiga da outra amiga, que também eram brilhantes.
Podem calcular o que é que um fato cor-de-rosa, justo e provocante faz a um corpo talhado para aquilo mesmo, mais ao par de olhos que nasceu para contemplar mais visões celestiais que a comum dos mortais.
Já na altura eu tinha uma vaga noção que a napa era a única coisa destoante naquele conjunto, mas só muito mais tarde me apercebi do quanto, quando me travei de conversas com a utilizadora. Tinham passado muitos anos desde os entardeceres na praia, com também muitos quilos desde que o fato tinha coberto as brilhantes curvas pela última vez.
No entanto, o que mais me chocou quando a conversa nos levou ao quarto e ao armário e ao fato em questão, foi constatar a pobreza da napa cor-de-rosa, transformada em sucedâneo de pele abandonada como a das serpentes, estalada e puída nas dobras.
Escusado será dizer que o chá não deu nem para o arranque…
publicado por yrleathergrl às 02:55