Cabedal creme e rosa

A princípio eu achava as gerberas umas coisas demasiado farfalhudas para o meu gosto. Mas a minha amiga Fatinha insistiu comigo e, pronto, dei comigo a olhar a sério para as ditas. E acabei por perceber que por baixo daquela exuberância estilo mercado da ribeira ao domingo, havia qualquer coisa de genuíno nas gerberas. Adoptei então a nomenclatura para o clube das Garotas do Cabedal.
Foi mais ou menos por altura da minha mais incrível descoberta: o célebre fato de cabedal creme e rosa escuro. Sei que pode soar piroso, até porque o desencantei em Las Vegas, numa loja que pretendia vender recordações do Elvis a preços astronómicos, ou seja, uma pechincha para os turistas.
Nessa altura fiz como a minha amiga Fatinha, pus-me à frente do cabide que dava um ar entireiçado e foleiro ao fato, a recitar intermináveis “Ommmmmms…”, até que o coreano da loja, muito nervoso, se ofereceu para me fazer um desconto e levar o fato e sair dali, tudo por esta exacta ordem.
É difícil encontrar vestimenta mais extravagante e desconcertante, mas se vissem o bem que fica por cima da pela macia da minha amiga Fatinha, compreenderiam o investimento monetário e emocional que lhe vem anexado.
As cores são as mesmas de um MG descapotável que tive em tempos e de que me tive de desfazer porque, apesar de atrair meninas, senhoras e outras gerberas, tinha uma manutenção caríssima e desconfio que o mecânico me levava couro e cabelo só para se vingar da dor de cotovelo.
publicado por yrleathergrl às 10:44